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Como funciona a adaptação de cargas na Kaizer

A Kaizer estima o 1RM de cada exercício a partir das séries, das repetições e do RIR que o aluno registrou, com uma tabela de coeficientes derivada da NSCA. Com esse 1RM calcula o peso das semanas seguintes, arredondado para baixo até o incremento mínimo do exercício, e quando a diferença não chega a um incremento inteiro sobe uma repetição em vez do peso. Só escreve as semanas que ninguém editou, e o treinador liga ou desliga no geral e aluno por aluno.

Última revisão: 16 de setembro de 2026

O que entra no cálculo

O motor trabalha exercício por exercício e aluno por aluno. Cada vez que o aluno fecha uma sessão no app, ele pega estes dados e nada mais.

As séries registradas
O peso e as repetições de cada série marcada como concluída. Uma série sem peso ou sem repetições (pulada, ou de um exercício sem carga) não entra na conta.
O RIR do exercício
Um único valor por exercício: as repetições em reserva que o app pergunta ao terminá-lo. Se o aluno não reporta, ou a pergunta está desativada, o cálculo usa 0.
O modelo de cada semana
As repetições e o RIR que o treinador prescreveu para cada série daquela semana. São os valores originais da rotina, não os que o motor escreveu depois.
O incremento mínimo do exercício
Vem da biblioteca de exercícios, em quilos ou libras conforme a unidade do aluno. Se o exercício não tem um definido, o motor usa 1 unidade.
O tipo de exercício
Se leva peso ou não, se é medido em repetições, tempo ou distância, e se está marcado como principal ou secundário dentro da sessão. Cada combinação segue uma regra diferente.
O histórico recente
As últimas três execuções daquele exercício por aquele aluno, em qualquer rotina, desde que tenham menos de 56 dias. Servem para que uma única sessão ruim ou boa não mova toda a prescrição.

Método

Estes são os passos, na ordem em que rodam. Todos são aritmética determinística sobre uma tabela: nenhum modelo de linguagem participa de nenhum deles.

  1. Resumir a sessão em um único dado

    O motor calcula a média do peso das séries concluídas (com duas casas decimais) e a média das repetições, arredondando para baixo. A isso soma o RIR reportado para o exercício. Três séries de 8 com 60 kg e RIR 4 viram 60 kg, 8 repetições, RIR 4.

  2. Estimar o 1RM

    Repetições mais RIR dão as repetições equivalentes: as que o aluno teria feito até a falha. Esse número, com teto em 20, é lido na tabela de coeficientes abaixo. O 1RM estimado é o peso dividido pelo coeficiente, com uma casa decimal. Com 60 kg e 12 repetições equivalentes, o coeficiente é 0,70 e o 1RM é 85,7 kg.

  3. Suavizar com o histórico

    O 1RM usado para prescrever não é só o de hoje. É a média dos 1RM estimados das últimas três execuções daquele exercício, incluindo a de hoje, descartando as de mais de 56 dias e as que não têm séries com carga. Se não houver nenhuma outra, usa-se a de hoje. Uma execução velha não volta a entrar: depois de uma pausa longa, a primeira sessão manda sozinha.

  4. Calcular o peso bruto de cada semana seguinte

    Para cada semana seguinte, o motor pega as repetições e o RIR do modelo daquela semana, soma, busca o coeficiente correspondente e multiplica pelo 1RM. Esse é o peso bruto, com uma casa decimal. Como cada semana pode ter o seu próprio RIR prescrito, o peso bruto muda de uma semana para outra mesmo com o mesmo 1RM.

  5. Arredondar para o incremento que existe na sala

    O peso bruto quase nunca pode ser montado com anilhas. O motor compara o bruto com o peso de referência (o peso real da última série concluída da semana anterior, ou o alvo dela se não foi treinada), divide a diferença pelo incremento mínimo e fica só com os incrementos inteiros, sempre arredondando na direção da referência. O resto é descartado, não acumulado. Com uma diferença de 4,3 kg e anilhas de 2,5 kg, o peso sobe 2,5 kg.

  6. Se o peso não se move, movem-se as repetições

    Quando a diferença não chega a um incremento inteiro, o peso fica igual e o motor muda o alvo de repetições. Em um exercício principal, o novo alvo é o esforço total anterior (repetições feitas mais RIR reportado) mais um, menos o RIR do modelo, que é mantido. Em um exercício secundário, ele compara esse esforço total com o do modelo: se o supera, fixa RIR 1 e prescreve uma repetição a menos que o total; se não chega, fixa RIR 1 e soma uma repetição às feitas.

  7. Exercícios sem carga, por tempo ou por distância

    Um exercício sem carga medido em repetições copia para as semanas seguintes as repetições que o aluno fez, só se diferirem do modelo. Um exercício medido em tempo ou distância não é recalculado: as semanas seguintes recebem os valores registrados como estão, inclusive o peso se havia.

  8. Escrever só onde corresponde

    O resultado é salvo apenas nas semanas posteriores à treinada que continuam pendentes e cujo último autor é o motor. Escreve-se o peso e as repetições de cada série e o RIR alvo da semana. O descanso, a técnica da série (um dropset, por exemplo) e as notas ficam como estavam.

A tabela de coeficientes

É a relação entre repetições equivalentes e fração do 1RM que o motor usa, derivada da tabela da NSCA. Lê-se nos dois sentidos: para estimar o 1RM a partir de uma série e para descer do 1RM ao peso de uma prescrição.

Repetições equivalentes (reps + RIR)Fração do 1RM
11.000
20.950
30.930
40.900
50.870
60.850
70.830
80.800
90.770
100.750
110.725
120.700
130.685
140.670
150.650
160.640
170.630
180.620
190.610
200.600

Exemplo com números

Supino, três séries de 8, incremento mínimo de 2,5 kg. O modelo prescreve RIR 2 nas semanas 1 e 2 e RIR 1 na semana 3. Na semana 1 o aluno registra 60 kg nas três séries, 8 repetições em cada uma, e reporta RIR 4. Não tem histórico anterior no exercício.

O que o motor calcula ao fechar a semana 1
PassoContaResultado
Desempenhomédia de 60, 60 e 60 kg; média de 8, 8 e 8 reps; RIR 460 kg, 8 reps, RIR 4
Repetições equivalentes8 + 4, teto 2012, coeficiente 0,70
1RM estimado60 / 0,7085,7 kg
Linha de basesem outras execuções em 56 dias85,7 kg
O que ele escreve nas semanas seguintes
SemanaModeloPeso brutoReferênciaPrescrição
28 reps, RIR 2 (10 equivalentes, 0,75)85,7 × 0,75 = 64,3 kg60 kg (real da semana 1)62,5 kg × 8, RIR 2
38 reps, RIR 1 (9 equivalentes, 0,77)85,7 × 0,77 = 66,0 kg62,5 kg (alvo da semana 2)65 kg × 8, RIR 1

Na semana 2 a diferença entre o bruto e a referência é de 4,3 kg: um incremento inteiro de 2,5 kg, e os 1,8 kg restantes são descartados. Na semana 3 a diferença é de 3,5 kg sobre os 62,5 kg já prescritos, outro incremento inteiro.

Se o mesmo aluno tivesse reportado RIR 3 em vez de 4, o 1RM seria 82,8 kg e o bruto da semana 2, 62,1 kg. A diferença para os 60 kg de referência é 2,1 kg, menos que um incremento, então o peso fica em 60 kg e o alvo de repetições passa a ser 8 + 3 + 1 − 2 = 10. A semana 2 ficaria em 60 kg × 10, RIR 2.

O mesmo caso com incremento mínimo de 1 kg (o valor padrão quando o exercício não define um) daria 64 kg na semana 2: quatro incrementos inteiros dentro dos 4,3 kg de diferença.

Limites

O que o motor não faz, porque o código não contempla. Tudo isso continua sendo trabalho do treinador.

  • Não programa deloads. O RIR prescrito de uma rotina pode baixar semana a semana conforme o modelo, mas não existe uma lógica que detecte fadiga acumulada e reduza a carga ou o volume.
  • Não muda o número de séries nem os descansos. Só escreve peso, repetições e RIR alvo.
  • Só lê peso, repetições e RIR. Não usa RPE, sono, aderência, dor, notas do aluno nem nenhum outro sinal.
  • Se o RIR falta, ele é tomado como 0. É a leitura mais conservadora possível: assume que a série foi até a falha e subestima o 1RM.
  • O arredondamento é sempre na direção do peso de referência: nunca prescreve acima do bruto e nunca carrega o resto de uma semana para a seguinte. Uma melhora menor que um incremento vira repetições, não peso.
  • A precisão cai com as repetições. A tabela assume uma relação fixa entre repetições e fração do 1RM; acima de 10 repetições equivalentes a estimativa é uma referência, não uma medição.
  • Não toca na semana treinada nem nas anteriores, e não volta a tocar em uma semana que o treinador ou o aluno editaram.
  • Exercícios por tempo ou distância não são recalculados, são arrastados. E um exercício novo, sem histórico, é prescrito só a partir da sessão de hoje.

O que o treinador decide

O cálculo é automatizado; o critério, não. Estes são os controles que existem no produto, verificados no mesmo código.

  • Um interruptor geral e um por aluno. Com a progressão desligada, as semanas seguintes recebem os valores registrados na última sessão, sem recálculo do 1RM.
  • A pergunta de RIR liga ou desliga no geral e por aluno. Desligá-la não para o cálculo: torna-o conservador, porque o RIR passa a ser 0.
  • Qualquer semana que o treinador edite sai do motor de forma permanente. A rotina inteira abre como uma tabela onde peso, repetições e RIR podem ser editados semana a semana.
  • Uma rotina gerada chega ao aluno quando o treinador a envia. Até lá é um rascunho.
  • Não há caixa de aprovação: nas semanas que ninguém tocou, a carga é escrita sozinha quando o aluno fecha a sessão.

Notas de metodologia

  • Última revisão: 16 de setembro de 2026.
  • Fonte: código de produção do kaizer-backend, feature progression (estimativa do 1RM, atualizador de cargas e seu ponto de entrada ao fechar uma sessão), revisado em 2026-09-16. Esta página descreve o que esse código faz, não o que a documentação promete.
  • A tabela de coeficientes deriva da tabela de repetições e porcentagem do 1RM da NSCA. A calculadora pública de 1RM deste site usa Epley e Brzycki com fins ilustrativos; o motor não usa nenhuma das duas.
  • O cálculo roda em dois momentos: quando o aluno fecha uma sessão e quando o treinador estende as semanas de uma rotina. Nos dois casos escreve só semanas futuras, pendentes e escritas pelo motor.
  • Quando o algoritmo mudar, esta página e a data de revisão mudam junto. Se um número daqui não bate com o que você vê no produto, a data diz qual dos dois é mais velho.

Perguntas frequentes

Uma tabela de coeficientes derivada da NSCA, indexada por repetições mais RIR e com teto em 20. O 1RM estimado é o peso médio das séries concluídas dividido pelo coeficiente. Não usa Epley nem Brzycki, e o valor a partir do qual prescreve é a média das últimas três execuções do exercício em 56 dias.

O cálculo usa RIR 0: assume que a série foi até a falha. É a estimativa mais conservadora, então o 1RM sai mais baixo e as cargas seguintes também. Se você prefere que não calcule para aquele aluno, a progressão automática desliga por aluno.

Não. O motor não tem nenhuma lógica de deload: não mede fadiga acumulada nem reduz o volume. O RIR prescrito pode variar semana a semana porque o modelo está escrito assim, mas um deload é decisão do treinador.

Porque a diferença entre o peso bruto e o de referência não chegou a um incremento inteiro do exercício. O motor sempre arredonda para baixo e não acumula o resto, então traduz essa melhora em uma repetição a mais com o mesmo RIR do modelo. Com anilhas menores, ou com um incremento mínimo menor definido para o exercício, o mesmo caso teria subido o peso.